Hoje, na coluna dos cinéfilos gamísticos, vamos ver como um FPS se vira nas telas do cinema. Prontos para encarar as portas do inferno?

Doom: A porta do inferno

 

Me surpreendi, um filme mais divertido do que eu esperava…

Filme de 2005, baseado no jogo de 1993, DOOM. Com um orçamento “razoável” de 60 milhões de dólares, esse filme é dirigido pelo mesmo diretor de Street Fighter: A Lenda de Chun-Li (2009) que um dia vai acabar “pintando” nessa coluna.
Os jogos de Doom não são conhecidos por uma grande trama ou uma história marcante e o filme segue essa linha.
Uma estação de Marte pede socorro depois de começar a ser atacada por um tipo de criatura. Quem recebe essa missão é um grupo chamado RRTS (Rapid Response Tactical Squad) liderado por Sarge (Dwayne Johnson), o velho “The Rock”. Ele chama quase todos os seus homens de confiança, ele apenas aconselha um dos soldados a ficar, por que lá em Marte ele encararia o seu passado, esse homem é conhecido como Reaper (Karl Urban). Mesmo com o conselho direto de seu oficial comandante ele decide ir até a estação. Já em marte, todos são apresentados à Samantha Grimm (Rosamund Pike), irmã de Reaper e uma das cientistas do local que pode guiá-los.
As missões de Sarge e seus soldados são: eliminar a ameaça, tornar o local seguro novamente e recuperar o que é propriedade de UAC.  Bem fácil, não?
O filme gira em torno desse grupo e como sempre os personagens ganham estereótipos já conhecidos por todo mundo. Como sempre há um afro-descendente alívio cômico (Razaaq Adoti), um veterano maluco (Ben Daniels), um cara mal encarado que usa as armas mais pesadas (Deobia Oparei), um desobediente metido à engraçadinho que provavelmente é o Judas do grupo (Richard Brake) e claro, o novato (Al Weaver). Estereótipos só são ruins quando usados mal ou colocados no lugar errado, nesse filme todos encaixam muito bem.
O maior problema desse filme é provavelmente o trabalho do departamento de arte. Eu não joguei todos os jogos, mas acredito que esse filme se baseou principalmente no jogo III de 2004 e o jogo é muito mais rico em detalhes do que o filme. Até mesmo as referências visuais do jogo no filme ficaram pobres, tudo parece plástico, é um tanto inaceitável para um filme de 60 milhões. O próprio conceito da arte é confuso, o filme seria de um futuro decadente onde há tecnologia bem avançada, mas essa mesma tecnologia estaria ultrapassada. O conceito da arte é inconsistente e me parece uma herança do jogo, o problema é que no filme isso fica muito mais visível, ao mesmo tempo em que eles usam armas inimagináveis eles jogam portáteis extremamente antigos. Essa estética não é exatamente uma novidade, mas parece que no filme não foi bem empregado. O conceito do jogo é um futuro tecnológico decadente, com defeitos. No filme confundiram isso com uma mistura de algo futurístico com algo bem antigo o que causa um estranhamento que o jogo não tem.
O filme tem uma média maior de ação do que de terror, isso é um problema. Eu, pessoalmente, não me assustei sequer uma vez. Mas, em compensação, as cenas de ação são legais, com muitos tiros e sangue.
Todo mundo geralmente tem preconceito com o The Rock, ou melhor, Dwayne Johnson. Isso por que ele sempre é chamado para o mesmo tipo de papel, o tipo de estereótipo que ele se encaixa, o tipo durão, invencível. Nesse filme não foi diferente, lá está ele com sua cara fechada e ainda por cima dando ordens para outros homens. Mas tenho que admitir que ele está bem, em alguns momentos do filme é exigido a ele uma atuação diferenciada e ele consegue se “virar”. Apenas acho que ele ainda se dá mal em closes onde revelam suas expressões sempre exageradas.
Uma coisa que o fã espera e verá nesse filme é algumas referências aos jogos, e nenhuma referência poderia ser melhor que as armas. The Rock em um momento do filme consegue a BFG 9000, uma velha conhecida dos fãs do game.

“Spoiler Alert” 

Não sei se é necessário esse spoiler alert por que imagino que todos já sabem que no filme há uma sequência em que somos colocados na perspectiva de um dos personagens.
São cinco minutos de muita ação em FPS, coisa muito pouco explorada no cinema, principalmente desse jeito. A sequência em si é fiel ao jogo, com sangue, monstros pulando e movimentos clássicos de uma perspectiva em primeira pessoa. Isso é um ponto interessante, o movimento lembra muito o dos jogos, algo que nos insere realmente no personagem e ainda consegue animar um ficcionado por de filmes de ação.
Último detalhe: como já disse, não sou exatamente um grande fã e conhecedor de Doom, mas mesmo assim me questiono sobre esses zumbis que apareceram em boa parte do filme. Para mim ficou soando como um “facilitador”, uma maneira mais fácil de ter monstros e gastar menos dinheiro com maquiagem e assim poderiam ter mais monstros no filme. Algum fã se habilita a me dizer se existem zumbis em algum jogo ou se pelo menos existe alguma explicação razoável fora a explicação dada no filme?
Os zumbis desse filme me parecem muito com simples zumbis, tipo Resident Evil, o que foge de uma estética mais DOOM.

 

O filme é divertido, mais do que eu imaginava. É um filme bom de se assistir até quando não se é fã do jogo, e isso vem de um aproveitamento do tema, Doom é do tipo de adaptação teoricamente fácil de se fazer, mas que não está livre do terrorismo de algum diretor sem muito talento. (há vários, nós sabemos!)
Esse filme não ganhou uma nota maior por que há uma série de problemas como a direção de arte inconsistente e a falta de um terror mais acentuado principalmente nas cenas iniciais. Mesmo tendo mostrado seu potencial em cenas de ação e ainda ter nos colocado em perspectiva de primeira pessoa, acredito que o filme seria muito mais interessante se tivesse um terror parecido com o do jogo, que é atormentador.