Crítica do capítulo prelúdio de uma das séries mais aclamadas dos últimos anos. O verdadeiro começo do inferno de Isaac Clarke!

Dead Space: Downfall (2008)

Não é bom ver esse filme antes de jogar o jogo… Nem depois…?

Produção americana dirigida por Chuck Patton lançado em 2008, mesmo ano do jogo produzido pela EA.
A tripulação de Ishimura recebe a missão de buscar um grande artefato na colônia de Aegis IV conhecido como Red Marker. Alissa Vincent (Nika Futterman) percebe que o artefato traz consigo mistério e males e a tripulação de Ishimura nem desconfia do mal que abraçaram.

Como anunciado, esse filme trata do começo do terror de Ishimura, um pouco antes de conhecermos Isaac Clarke, o herói da estória original. Então o personagem principal é Nicole, certo? Não. É Alissa Vicent, chefe de segurança de Ishimura. E vemos pelos olhos dela, e de alguns outros personagens, fatos que contribuíram para que o caos se estabelecesse na nave.

O filme é uma animação com intercalação 2D – 3D, personagens animados em duas dimensões e cenários feitos em três. E essa junção de duas técnicas diferentes não tende a funcionar queando uma não tenta anular a outra. Elas não se juntam harmoniosamente. É uma grande virtude de um filme que consiga fazer isso e esse filme conseguiu em boa parte do tempo, apenas alguns planos o cenário revela ter menos qualidade que os personagens.
O filme em si, tecnicamente e artisticamente, é muito simples, mas não é mau feito. Não deixa sua técnica ser revelada facilmente, nos envolvendo assim apenas na trama.
Como o “bruto” dos personagens e toda animação é feito em 2D, o filme não pode aproveitar (tentou, mas não conseguiu) algo muito forte no jogo, a violência. No jogo toda violência exagerada não causa estranhamento aos olhos e o uso visual do sangue é naturalista, forte. Já no filme, toda vez que se tentou causar choque com violência e sangue ficou exagerado, algo bem particular de animações 2D, mas que não combina com Dead Space.
Uma das grandes virtudes dos games Dead Space é a fotografia. Luzes piscantes (algo que não pode faltar) e o uso extremamente criativo de vários tons de luzes diferentes contribuindo para o rigor visual. Já no filme esse departamento é quase nulo e atribuo essa falta aos cenários 3D que em boa parte do filme não tem vida, sem sombras e parecem ser “lavados” com apenas uma luz.

Mesmo com os pontos negativos esse filme pelo menos fala sobre o jogo que adapta. Não inventa sobre um produto original, fala sobre ele e faz a sua parte: trazer o jogo para uma mídia diferente que é o cinema. O fã do jogo pode ver o contexto que tanto gosta em diferentes ângulos.

Mas ao mesmo tempo a linha narrativa do filme fala apenas do contexto Dead Space, mas não do contexto que mais interessa aos fãs do jogo: Issac e Nicole. Seria muito mais interessante para um capítulo prelúdio como esse filme que a personagem principal fosse Nicole e pudéssemos entender melhor a relação dos dois e ver pelos olhos dela como tudo aconteceu. Estaria pelo menos mais adequado ao universo Dead Space.

Às vezes certos jogos conseguem uma abordagem sobre o mundo, no qual está tratando, que filmes e seriados nunca conseguirão algo igual. Falo da maneira que jogos survival-horrors nos inserem naquele mundo através de cartinhas, vídeos recolhidos e áudios recuperados pelos personagens. Isso te insere de uma forma “opcional” já que você pode escolher ouvir/ler/ver ou não, e ti introduz ao presente ou ao passado de uma forma mais interessante do que diálogos over-explicativos. É o problema de ver esse filme antes de jogar o game. Há detalhes da estória que é melhor deixar o jogo explicar da sua maneira. Ao mesmo tempo, o filme assistido depois do jogo pode ser bastante decepcionante por detalhes citados anteriormente e por ser deslocado de um ambiente comum sem nenhum propósito forte artisticamente.

O filme é muito bem feito, mesmo tendo restrições técnicas. Mesmo tendo seus problemas de contexto, traz algo forte do imaginário do fã: O passado de Ishimura. Mas peca pelo fato de ser algo muito menor que o jogo, quase insignificante que com o passar dos anos corre o risco de ser esquecido totalmente. Não é bom ver esse filme antes de jogar o jogo… Nem depois…? Talvez escolha em nunca ver.