Hoje nas sombras de Advent Children (2005), Final Fantasy: The Spirits Within veio carregado de expectativa na época de lançamento, mas até hoje é questionado se correspondeu às expectativas e suportou a responsabilidade do nome que carrega.

Final Fantasy: The Spirits Within (2001)

O problema é o nome…

Co-produção Japão/ Estados Unidos, dirigido e escrito pelo mesmo escritor de Final Fantasy VII e diretor de Final Fantasy V. Lançado em 2001 carregado por um hype imenso junto com o lançamento do também muito esperado Final Fantasy X. Inclusive a publicidade dos dois constantemente se misturava criando uma expectativa errada.

De imediato invadimos o imaginário de nossa protagonista e somos inseridos em um dos sonhos/pesadelos que a atormentam há certo tempo.  Tormentos que ela faz questão de guardar porque podem vir a ajudar a pequena missão que ela mesmo anuncia no começo do filme: Salvar o planeta Terra.

Para concluir sua humilde missão ela precisa juntar os oitos espectros que juntos podem anular o poder da raça que vem tomando conta do planeta e obrigando as pessoas a viver isoladas e em constante medo.

Ela contará com a ajuda dos “Deep Eyes” liderado por Grey Edwards (Alec Baldwin) e de seu mentor Dr. Sid (Donald Sutherland)

O filme tem muitos méritos técnicos, não apenas é o primeiro filme que tentou fazer personagens foto-realistas na técnica 3D como também é um dos que melhor fez até hoje. Também é memorável o uso da captura de movimento, quase imperceptível no filme podendo se jurar que na verdade todos os movimentos foram animados e não capturados. Há exemplos de filme um tanto atuais que não usam bem essa técnica, esse filme usa da maneira adequada, sem atuações exageradas dos atores. Lembrando que a produção desse filme começou por volta de 1997 – 1998.

Apenas no parâmetro visual do 3D esse filme já se destaca englobando a fotografia e a direção de arte.

A direção de arte que mistura um mundo caótico, árido, mas extremamente tecnológico e funcional. E a fotografia escura, mas iluminada constantemente por pequenos focos de luz de diferentes cores.

Fugindo da técnica, Spirits Within também tem méritos em outros pontos. O filme tem certa liberdade para proporcionar sequências interessantes, destaque para os sonhos de Aki que introduzem ao contexto do filme e ainda são interessantes visualmente misturando a perspectiva do sonho com a perspectiva da realidade.

Uma coisa que me incomodou bastante foi a voz de Alec Baldwin como coadjuvante e líder do grupo “Deep Eyes”. Tenho todo respeito que Alec pode receber, mas a voz dele não encaixa em um jovem líder de um grupo de soldados, mesmo ele sendo bom ator. A voz interfere obviamente tanto quanto a aparência quando se trata de estereótipo. Em muitos momentos a voz não passa nenhuma segurança e imponência.

Se tratando das atuações nas dublagens a maioria é um tanto decepcionante, mas o casal principal foi mais. A Ming-Na não teve um bom desempenho, apesar de que pelo menos a voz dela encaixa na personagem.

Mas vamos ao que interessa: Quais semelhanças esse filme tem com a série Final Fantasy?

Esse filme em muitos parâmetros traz coisas nunca vista nos jogos até hoje e principalmente na época que saiu.  Esses monstros espectros que vem de outro planeta acredito que nunca apareceram nos jogos e esse visual tecnológico, por mais que seja interessante, não predomina nas temáticas do Final Fantasy.

Os personagens, quando se trata de função narrativa e características, eles têm muitas coisas em comum com alguns personagens da série, mas visualmente eles são muito diferentes o que acredito que afastou os fãs na época.

 

 

 

 

 

 

Faltam referências fan-service nesse filme. Gravemente. O máximo que há é um personagem chamado Sid e o Planeta Terra pode ser chamado também de Gaia, mas fora isso não há nada. Cadê os moogles? Bahamut descendo dos céus? Cadê?

Coisas desse tipo colocam a dúvida na cabeça do fã: Tá, o filme é bom, mas devia carregar esse título? Final Fantasy, mesmo?

 

 

Revendo achei um filme muito interessante, vale a pena mesmo, mas é forçado a trazer nas costas uma responsabilidade desnecessária de levar o nome Final Fantasy ou tentou-se fazer algo que ficou imperceptível, afinal, o que tem de Final Fantasy nesse filme? O maior problema desse filme é o nome…