Quando falamos de eventos de game music, logo vem a mente o consagrado Video Games Live, espetáculo internacional idealizado por Tommy Tallarico e que já se apresenta no Brasil há alguns anos. Mas não só de VGL vive o mundo da Game Music no Brasil. Com a mesma proposta, aconteceu neste sábado, no Teatro Municipal de Santo André-SP, a premiere do Games in Concert. Com Across Orchestra, Banda Smash Bros e o Pianista Marco Aurélio de Almeida sob a Regência de Rafael Waisman e Direção Geral de Átila Cumagai, o ‘Games In Concert’ veio com o intuito de proporcionar um espetáculo de luz, imagem e som, embalado pelas melhores e mais nostálgicas trilhas de videogame. Mas será que o evento tupiniquim cumpriu sua promessa? O representante paulistano do Super Controle, Erick Seika esteve lá pra conferir!

O Teatro Municipal de Santo André-SP estava praticamente lotado, com um público de aproximadamente 300 pessoas por apresentação. O evento teve atrasos ocasionados por uma queda de energia, e isso causou confusão e desconforto no público que teve que esperar em pé por quase uma hora até o começo do espetáculo.

O show começou com uma bela interação entre as cordas e metais da Orquestra Across com o som da banda SMash Bros, que tocaram no primeiro bloco o tema de Tetris, seguido por Super Smash Bros Melee, Super Smash Bros Brawl, Castlevania e Sonic – Green Hill Zone. Tudo acompanhado por imagens e vídeos dos games, exibidas em um telão posicionado atrás dos músicos da orquestra.

Em seguida, o pianista Marco Aurélio de Almeida, sozinho no palco, tocou os temas de Final Fantasy Tactics, Chtono Trigger (“Wind Scene”, “Fanfare 1 – Lucca´s theme” e “Frog´s Theme”), Top Gear, Sunset Riders, Goof Troop, Megaman X (“Storm Eagle Stage) e Mighty Morphin Power Rangers. Se por um lado a lista foi bem variada e diferente da mesmice com a qual estamos acostumados, a performance do pianista foi sofrível, com diversos erros que descaracterizaram a maior parte das canções. O público se empolgou, mas quem realmente conhecia os temas apresentados se decepcionou com a péssima qualidade da performance, que não foi compatível com o resto do espetáculo.

No segundo bloco da apresentação, a banda Smash Bros voltou ao palco com uma versão de Still Alive, com um vocal baixo demais, e o tema de Pokémon. Em seguida, em conjunto com a orquestra, foram tocados os temas de Zelda (Tema principal e “Saria´s Song”), House of the Dead, Super Mario WOrld (“Bowser´s Castle”), Golden Eye, Kingdom Hearts e Mortal Kombat. No “bis”, o público foi presenteado com uma repetição do tema de Golden Eye.

Na minha visão, algumas pequenas falhas comprometeram o espetáculo. O pouco envolvimento dos apresentadores, que pareciam perdidos no palco; a imensa quantidade de erros na performance dos solos em piano; a falta de organização; a escolha duvidosa de alguns jogos (House of The Dead é uma série tão relevante/nostálgica pra entrar no repertório?); a predominância de jogos da Nintendo ou que fizeram sucesso no SUper Nintendo; a quase ausência de sucessos mais recentes, como Halo, Mass Effect, God of War, Skyrim, entre outros.

Por outro lado, a Banda Smash Bros e a Orquesta Across deram um verdadeiro show de empolgação e profissionalismo, desempenhando perfeitamente o seu papel: tocar os grandes temas da game music e empolgar e emocionar o público. A escolha de jogos e até mesmo músicas diferenciadas de séries que sempre aparecem em eventos do tipo foi um sopro de ar fresco, com que a repetitiva video Games Live poderia aprender bastante (Super Mario Galaxy, “Bowser´s Castle” e Fiunal Fantasy Tactics foram um belo exemplo disso).

Enfim, louvável a iniciativa do Games in Concert, que tem muito a aprender com essa premiére. O evento fará turnê pelo Brasil em 2012, e deve anunciar os próximos destinos em breve no site www.gamesinconcert.com. Se você é fã de game music e está cansado de ouvir “One Winged Angel”, não perca a oportunidade de assistir a esse espetáculo!