Memory Pack #01 – Suikoden
Olá pessoal, aqui é o Netus, e vamos falar de jogos antigos, outros nem tanto, nessa nova coluna, a Memory Pack. O que é uma ironia, já que não devo falar de jogos de N64, mas soa melhor que Memory Card… Basicamente vou recomendar jogos pro pessoal, mais antigos, subestimados ou obscuros, e dando uns pitacos no meio do caminho.
E, pra começar, nada melhor que uma das melhores séries de RPG já feitas, com os cinco títulos da série Genso Suikoden! Hoje falamos do primeiro jogo, dando uma olhada no panorama da série em geral, por isso vai ser um pouco mais comprido. O foco é apenas nos jogos de console, que compõem a cronologia clássica, que já é mais antiga e está num hiato desde 2006. Então, nada de Tierkreis.
Suikoden I foi um dos primeiros jogos de PSX, que saiu em 1995, e parece um jogo de SNES com gráficos melhorados, então a jogabilidade é um pouco sofrida para o padrão atual… aliás, como todo mundo sabe o início do desenvolvimento do PSX foi como um periférico de SNES… o Suikoden teria sido planejado para o famigerado SNES CD? Mistério.
A coisa mais marcante da série, certamente, e que todo mundo já ouviu falar, é a enorme quantidade de personagens recrutáveis. Todo Suikoden se baseia em uma lenda chinesa das 108 estrelas, envolvendo recrutar 108 heróis para um fim específico, geralmente obter o final “bom” dos jogos. Até pode ocorrer de haver mais de 108 personagens disponíveis. E essa quantidade absurda de personagens tem a ver com a segunda característica comum à série: sempre há uma grande guerra como eixo central do enredo, e em algum momento o grupo se estabelece em um tipo de fortaleza/base de operações. Assim, a função dos personagens é variável, de soldados, generais e guerreiros para o combate a donos de hotel, lojas e demais funcionalidades da base.
A terceira característica deriva da segunda: todos os jogos apresentam três sistemas de combate: o bom e velho combate em grupos (à la Final Fantasy, com encontros aleatórios, o que mais se usa ao longo dos jogos), duelos (que funcionam em um estilo de pedra-papel-tesoura, sempre no mano a mano) e grandes combates entre exércitos (o que mais evoluiu ao longo dos jogos, também no estilo pedra-papel-tesoura no I até a movimentação em tempo real de V). A engine de combate é praticamente a mesma em todos as versões. O grupo de personagens fica “de costas” para a tela, e vemos os inimigos de frente. Selecionam-se então as ações variadas, e tudo é executado em sequência, por turnos – não há ATBs ou coisa parecida. Existem duas características comuns a todos os jogos: uso de magias e ataques combinados. De maneira diferente da maiorias dos RPGs, a magia depende de runas equipadas no personagem, e têm um número limitado de usos, o que aumenta a importância da estratégia ao longo do jogo. Já as combinações são ataques que envolvem mais de um personagem, como em Chrono Trigger, mas são de uso ilimitado (apesar de algumas causarem efeitos negativos). Os personagens não trocam de armas ao longo do jogo – cada um possui uma específica, e a melhora de seu ataque se dá levando o personagem a um mestre de armas (vulgo ferreiro) que aumenta o nível delas. Os únicos itens que variam são armaduras, capacetes e itens diversos.
Só por isso Suikoden já tem um ar bem característico, mas o seu maior charme é o de criar uma mitologia própria. Todos os jogos se passam no mundo introduzido no jogo original, em uma mesma continuidade, havendo inclusive personagens recorrentes e referências internas nos jogos posteriores. O visual também é diferenciado: cenários e personagens costumam ser bem variados e têm um apelo visual mais “oriental”, variando um pouco o estilo “medieval europeu” tão comum em RPGs.
Como dissemos, os jogos seguem a lenda chinesa das 108 estrelas do destino. Cabe ao protagonista, a estela Tenkai, buscar pelas demais com a
finalidade de completar seu destino. No caso, o Tenkai se chama Tir McDohl (apesar desse nome ter sido definido depois, em manuais e drama-CDs – os heróis da série são sempre “protagonistas silenciosos”, e não tem um nome pré-definido no jogo). Tir é o filho de um renomado general Teo McDohl, do Scarlet Moon Empire. Junto de seu amigo Ted, em uma missão percebe o quanto o povo se tornou infeliz por conta da corrupção e maus-tratos da aristocracia e acaba, após uma série de eventos desastrosos, se unindo a uma organização rebelde e tomando posse de uma runa mística, a Rune Life and Death (ou Soul Eater). Cabe aqui outra explicação do universo do jogo, sobre as 27 True Runes. São as runas mais poderosas do jogo – mas exigem um preço alto: tornam o usuário imortal, e sempre trazem consigo o fardo da infelicidade para seus “hospedeiros” – o termo original, “bearer”, carrega muito bem esse significado de sofrimento. Esse é um tema comum a todos os jogos, e até o V já apareceram 18 True Runes. Enfim, é claro que existe algo por trás dessa guerra civil, e ao longo de sua jornada Tir enfrenta muitos dilemas, desafios, tragédias, e encontra novos aliados e inimigos.
A história é relativamente simples, mesmo por causa dos diálogos curtos, mas a riqueza do cenário, o carisma e variedade dos personagens trabalham a favor do enredo. Não é difícil simpatizar com Tir e seus amigos ao longo do jogo, enfrentando escolhas terríveis. Claro que clichês não faltam, mas bem-trabalhados, e que enriquecem a experiência. Mesmo que não fosse boa, apenas por ter iniciado essa saga e criado um mundo próprio, com uma mitologia vasta e envolvente, a história de Suikoden mereceria ser conferida pelos fãs do gênero.
O grande problema do jogo em si é ser bastante datado, infelizmente. Apesar da boa trilha sonora, os gráficos são simples demais para o PSX, e a jogabilidade é limitada, o que certamente ai afastar os jogadores mais novos ou causais. Ainda assim, não é algo que comprometa a diversão – fora o incômodo de ter que equipar uma runa especificamente para fazer o personagem correr pelo mapa (defeito felizmente sanado nos jogos seguintes) É meio irritante estar andando pelas masmorras sem ter a opção de correr, como é normal em RPGs. Fora isso, é um jogo simples, de rápida compreensão, e não seria exagero dizer que se trata de um excelente jogo para iniciantes em RPGs. Além disso, o tempo total de jogo não chega a 20 horas, mesmo debulhando todos os segredos, então não é complexo nem demorado demais. Vale a pena conferir.
Então, a quem recomendar?
Jogue se: já jogou outro jogo da série; for fã de RPG, boas histórias, gostar de mitologias complexas, combates entre exércitos ou tudo isso junto; não se importar com um sistema antigo ou gráficos 2d; tiver afinidade por exércitos rebeldes.
Não jogue se: não gostar de vídeo-game; não gostar de alguns clichês do gênero; não gostar de gráficos mais simples ou jogabilidade reduzida.













Que isso netus no super controle. e ainda falando de uma das minhas franquias favoritas. bah ficou show analisou muito bem um jogo muito foda. prefiro o II da franquia. mas o primeiro foi um jogo bem inovador na sua epoca e vale a pena ser jogado hoje em dia e ele nem ta tão datado assim
Nunca gostei muito do primeiro Suikoden, dava pra fechar tudo em umas 15 horas e o sistema de batalha se resumia a pegar 2 personagens pra fazer combos e matar todo mundo em 1 hit…
O segundo jogo da série foi bem mais interessante e o único que consigo engolir até hoje xD
Infelizmente, isso é meio que uma consequência do sistema de runas. Como você tem que economizar as magias, resta usar o que der pra se livrar o mais rápido possível dos inimigos, e acaba sobrando pras combinações, que podem ser muito apelonas pelo fato de não terem custo. Mas o divertido mesmo é montar grupos com personagens que você goste, mudando a jogabilidade e mesmo a dificuldade em certos momentos.
AGORA SIM! =) Chapa, curti DEMAIS a coluna. Sou um GRANDE fã da série, e joguei todos, inclusive o Tierkris (hahaha). No caso do I, joguei logo depois que terminei o II, e realmente isso ofuscou minha experiência. Mas é um jogo muito bom, e muito importante pra se habituar à mitologia do mundo. É legal ver como os outros jogos da série evoluíram a partir dele.
Aguardando as próximas, mesmo pq tenho SPOILERS e sei que LOGO virá outra série que curto demais hauhauhauhauhua
Opa, fico grato. Não tenho nada contra o Tierkreis, já que nunca joguei (apesar de nunca ter ouvido boas recomendações sobre ele), mas parece que sai muito do estilo dos jogos da série, aproveitando o conceito de "multiverso" e a questão da saída do roteirista oringinal. Devo falar disso mais pra frente.
Curti bastante a coluna!! Não me importo muito com graficos 2d ou reduzidos. Acho que vale a pena dar uma conferida no jogo. Esse estilo a la Legend of Mana no PSX é bem maneiro!
Aê! Eu não me importaria se o SC só postasse podcasts, mas, no fundo, esse tipo de coluna fazia muita falta no site! Mais uma que acompanharei ferrenhamente.
Muito bom chapa. Nunca acompanhei a série Suikoden por não curtir o foco na estratégica por turno, mas só agora me dei conta que nunca tinha visto o primeiro jogo da série.Parece bem banaca, e raro pacas.
Nunca o vi a venda em sites de leilão, deve custar uma fortuna hoje em dia.
No Ebay, um lacrado sai pela bagatela de 275 dólares. Mas um usado está na faixa de 26, então não é tão caro assim. E pra quem fala japonês, tem a versão do PSP que lançaram uns anos atrás, com os Suikodens I e II, por coisa de 50 dólares. Mas não duvido que tenha à venda na PSN ou coisa do tipo.
Hehe, como imaginei está além do orçamento para games de PSX na coleção atualmente, quem sabe num futuro não (ou talvez muito) distante?Valeu chapa.^^
Parece bem bom o jogo. E pelas imagens me lembrou um pouco o Dragon Force do Saturno, pelo menos na hora das batalhas entre exércitos só que pior. Alguém sabe se é parecido ao menos? E prefiro batalha de grupos ao estilo Shinning Force II (esse deveria existir até hoje, não?) do que o estilo do FF. Bem mais bem trabalhado, enfim, gosto é gosto.
Mas bem boa a coluna. Tava faltando mesmo material escrito original e de qualidade pela internet brasileira. Parabéns pela iniciativa.
Cara, não conhecia esse Dragon Force, dei uma pesquisada e pelo que vi parece muito legal o jogo. O sistema de combate realmente parece um pouco, mas me lembrou mais o combate do Star Ocean Second Story, com a tela se movendo e tal. Já o sistema em si, esse sim, lembra uma versão refinada do Suikoden, mas com mais opções, já que no Suikoden basicamente se dá uma ordem por turno para um exército inteiro, é literalmente pedra-papel-tesoura contra o outro lado. E acho que falar de sistemas de combate rende um livro se formos discutir, hahaha, mas gosto bastante dos Suikodens, apesar de amar o sistema do Grandia.
Grato pelo apoio!
Acho legal esse sistema de pedra-papel-tesoura. Até jogava há um tempo atrás um mapa de WarCraft3 baseada em Mech Warrior que é bem interessante, mas não é por turnos. Assim como o Dragon Force. Pelo menos que eu lembro é as ordens tem tempo livre e o general tem mana para lançar magias. Algumas ações/decisões não tem custo e encerram o combate como fugir.
Mas enfim, como falaste, rende um livro. hehe.
Até o próximo memory pack. Só não demore muito que se não somem os save games.
cara esse e meu jogo favorito…………………….. to no trampo agora não da pra comentar, nem pra ler o post, mas quando eu chegar em casa eu dou uma olhada abração
sou frequentador novo do site, conheci vcs através do argcast, eles comentaram sobre vcs tinha um integrante de vcs la falando sobre jogos … "so com manhas"
ai vim conferir o trabalho de vcs
fuis
PUts vou ouvir, graças ao Suikoden sou obrigado a dar uma moral a vocês. Comento de novo após ouvir.