Uma coisa que eu não devia ter feito, teoricamente, foi jogar Tales of Graces depois de ter jogado Tales of Xillia. Apesar do Grace ter muitas coisas bacanas, de maneira geral ele é bem inferior ao Xillia, o que é mais do que natural visto que o Xillia foi o último jogo da franquia Tales (Tales of Innocence R do Vita não conta muito porque ele é bem simples).

Outro detalhe importante sobre Tales of Grace F é que ele na verdade é um port HD da versão original do game que saiu para o Wii, onde além do up gráfico, teve alguns extras adicionados, opção de comprar alguns DLC’s na PSN e o mais importante, veio para o ocidente, o que não ocorreu com a versão do Wii.

Os gráficos do jogo são bacanas, mas é visível que é um jogo de Wii rodando em 720P. Se você comparar com Tales of Xillia, que é exclusivo para PS3, é gritante a diferença técnica entre os jogos, mas isso não faz com que Grace seja um jogo terrível de se jogar no PS3, pelo contrário, o sistema de batalha dele é muito bacana. A cada jogo da franquia a Namco sempre coloca algum elemento novo, neste é que cada personagem tem 2 categorias de golpes. O protagonista, por exemplo, luta com uma espada ou com socos e chutes intercalando com golpes de espada com a mesma na bainha, e você pode intercalar no meio dos combos o que dá várias possibilidades no combate. Os personagens não tem MP, você tem Action Points que recuperam com o tempo e cada skill custa uma quantidade X. As skills agora estão ligadas a um sistema clássico da franquia que nunca teve muita utilidade, os Titles, que são apelidos que você dá a cada personagem, que no caso do Tales tem 5 skills atreladas em cada um, que são liberadas a medida que se ganha Skills Points. Você ganha os Titles a medida que avança na história, participa de alguns eventos no game (como aqueles diálogos entre os personagens quando se aparta select em determinadas partes do game) ou usando skills nas batalhas. Existem muitos, mas muitos Titles, mais de 50 na verdade, isso para cada personagem.

Se por um lado os gráficos salvam, a dublagem por outro lado é bem ruim. Não chega a ser uma coisa hedionda como Arc Rise Fantasia, mas foi feita bem nas coxas, e como de costume, nada de opção de áudio japonês. As músicas são bacanas por outro lado.

Existem um sistema de combinação e criação de itens muito útil, tanto para conseguir dinheiro, a partir da combinação de 2 itens baratos que resultam em um mais caro, como para melhorar suas armas e armaduras.

A história do jogo é bem chatinha e clichê, tem muito de “poder da amizade” que pode irritar alguns, mas pelo menos os personagens são carismáticos e isso ajuda bastante. Um dos extras é um história adicional liberada após terminar o game, que mostra o aconteceu com os personagens após o final.

Em meio ao extras tem o Trials of Grace, que são batalhas que você trava com inimigos mais fortes, recebendo itens bacanas caso vença. As batalhas são liberadas a medida que você avança na história ou sobe de LV e tem algumas realmente complicadas que exibem um pouco de grinding dos personagens. O maneiro é que você enfrenta personagens de outros jogos da franquia, inclusive dos jogos mais antigos.

Os DLC’s disponibilizados na PSN são roupas, basicamente, roupa de colegial, roupa de praia, coisa do tipo. Os fãs de anime ficarão chateados porque algumas das roupas de animes, como Code Geass, não estão disponíveis na versão americana do game, provavelmente por questões de licença.

Para os fãs da franquia existe um “card game” maroto. Você coleta no decorrer do jogo cartas dos personagens de todos os Tales lançados até então e nas partidas é falada uma frase marcante de algum dos personagens das cartas que estão dispostas na tela. O objetivo é identificar de quem é a frase no menor tempo possível.

Gastei umas 35 horas para terminar o game, mas tem algumas sidequests para fazer ainda e o melhor, existe opção de newgame+. Considerando que Tales of Xillia não deve vir para o ocidente tão cedo, se você curte um RPG japonês com um sistema de batalha mais ágil, recomendo que joguem Tales of Grace F, ai, se conhecerem alguma coisa de japonês, ou se forem malucos como eu, podem jogar o Tales of Xillia depois.